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PERÍODO QUATERNÁRIO – EVOLUÇÃO – Biologia – Trabalhos Escolares

PERÍODO QUATERNÁRIO

O aparecimento do homem foi um dos fatos mais importantes do quaternário, o último e mais breve dos períodos da era cenozóica.
O período quaternário, também denominado antropozóico, é o mais recente da história da Terra e abrange, segundo alguns geólogos, 1,6 milhão de anos. Dado o intervalo de tempo relativamente curto que lhe é atribuído, certos autores sustentam que na verdade seria uma espécie de prolongamento do período terciário, que durou até o presente. Os fatos geológicos e biológicos registrados nessa etapa da história da Terra, porém, permitem considerá-lo um período isolado, com características próprias.
O quaternário se subdivide em duas épocas: a mais antiga, o pleistoceno, se prolonga desde o início do período, há 1,6 milhão de anos, e o holoceno, época atual, abrange os últimos dez mil anos. Do ponto de vista climático, a principal característica desse intervalo de tempo foi a significativa redução das temperaturas, registrada em ondas sucessivas em grande parte do hemisfério boreal e em algumas áreas do austral, com avanços das geleiras e conseqüentes alterações na flora e na fauna das regiões afetadas. Esses fenômenos, denominados glaciações, se alternaram com fases interglaciais de maior duração, nas quais o clima se suavizava de maneira notável. Nas regiões tropicais e subtropicais, porém, as mudanças climáticas e ecológicas de maior vulto estiveram associadas às variações dos índices pluviométricos. As fases úmidas, nas quais se registravam precipitações intensas, foram seguidas de intervalos de estiagem, com chuvas escassas, o que produziu significativas modificações nos territórios ocupados pelas savanas e pelas selvas.
No quaternário alcançaram pleno desenvolvimento os hominídeos. Esse grupo evoluiu a partir de antepassados comuns aos símios atuais até culminar com o aparecimento dos primeiros seres que podem ser qualificados de humanos.
Entre as formações geológicas características do período quaternário cabe citar os terraços fluviais, formados pelo acúmulo de materiais nas margens dos rios. A diferente espessura desses terraços indica que sua formação se deu em fases de predomínio da erosão provocada pelo degelo, com a conseqüente elevação do nível das águas, ou em etapas nas quais a sedimentação era maior, quando sobrevinha uma nova glaciação e os cursos fluviais tinham seu caudal reduzido. Deve-se também destacar a formação de depósitos de fragmentos de rochas arrastados pelas geleiras em seu avanço (till glacial), de grutas com diferentes depósitos calcários, além de depósitos de loess e paleossolos.
Glaciações. Tradicionalmente se admite que houve quatro glaciações sucessivas, ou períodos de clima frio, mas estudos mais recentes mostraram ter havido outras grandes glaciações durante a parte final do terciário, assim como em outros períodos geológicos. Na Europa, as glaciações do quaternário receberam os nomes de rios da Alemanha: Günz, Mindel, Riss e Würm, correspondentes às glaciações de Nebraska, Kansas, Illinois e Wisconsin na América do Norte.
As glaciações, separadas por períodos interglaciais, tiveram durações diversas. Assim, enquanto o período glacial conhecido como Mindel se prolongou por 140.000 anos, o Riss durou apenas oitenta mil anos. No decorrer dessas glaciações, amplas áreas do hemisfério norte e algumas do hemisfério sul ficaram cobertas por uma espessa camada de gelo. Toda a Europa setentrional, Canadá e parte dos Estados Unidos, assim como algumas zonas do norte da Ásia e da América do Sul, tinham aspecto semelhante ao dos círculos polares da atualidade.
Não se conhece com precisão a causa das glaciações, embora diversas hipóteses tenham sido elaboradas na tentativa de explicar as consideráveis transformações climáticas registradas no planeta durante o pleistoceno. Algumas dessas interpretações se referem a possíveis perturbações no Sol, que teriam dado lugar a fenômenos semelhantes aos que geram as manchas solares observadas na atualidade. Outras teorias se baseiam na mudança da inclinação do eixo da Terra, o que provocou modificações na intensidade da radiação solar recebida pela superfície do planeta.
Várias foram as conseqüências das glaciações. Com a redução da temperatura e o congelamento de grandes massas de água, o nível dos oceanos baixou durante os períodos glaciais e voltou a elevar-se nos períodos interglaciais. Nesses últimos, as águas marinhas invadiram parte do curso inferior dos rios e provocaram grandes mudanças no perfil dos litorais. O frio também afetou a flora e a fauna, com o conseqüente desaparecimento de algumas espécies vegetais e animais e a ocorrência de movimentos migratórios de outras espécies para regiões meridionais, de clima mais ameno. Nos períodos interglaciais, ao contrário, registraram-se novas invasões biológicas das regiões do norte, que ficavam livres do gelo.

Flora e fauna. As pesquisas sobre as mudanças registradas na flora no período quaternário foram possíveis graças ao estudo dos diferentes tipos de grãos de pólen encontrados nos sedimentos de rios e lagos, objeto da disciplina científica denominada palinologia. Protegidos por uma camada externa de grande resistência, esses grãos se conservaram em determinados terrenos lacustres, como as turfeiras e as terras argilosas. Cada gênero botânico produz diversas formações, como protuberâncias, espinhos etc., em sua superfície, o que permite distinguir com precisão o tipo de planta superior que o desenvolveu. Dessa maneira, deduziu-se que a maior parte das espécies vegetais existentes no quaternário corresponde a formas atuais.
Pelo contrário, na fauna registraram-se mudanças significativas. Foram encontrados fósseis de moluscos marinhos, sobretudo de bivalves (grupo ao qual pertencem as ostras e amêijoas) e gastrópodes (caracóis) associados tanto a mares de regiões de clima quente quanto de clima frio. Na fauna terrestre do quaternário alternaram-se espécies próprias de habitat de clima quente, entre as quais elefantes (Elephas meridionalis e Elephas antiquus), rinocerontes e hipopótamos, e de clima ártico, como o mamute (Elephas primigenius), o rinoceronte lanudo (Rhinoceros tichorhinus), a rena (Rangifer tarandus), o grande cervo (Cervus megaceros), cujos galhos alcançavam grande envergadura, o urso das cavernas (Ursus speleus) e o felino conhecido como tigre-dentes-de-sabre (do gênero Smilodon). Na América do Sul proliferaram os mamíferos desdentados, como o megatério, do gênero Megatherium, que alcançava grande tamanho e os gliptodontes, providos de uma resistente couraça.

Aparição do homem. Um acontecimento de grande importância registrado no período quaternário foi o notável desenvolvimento experimentado pelos hominídeos, grupo de primatas muito evoluídos, caracterizados pela posição ereta e bípede.
Ao longo do paleolítico, etapa cultural caracterizada pelo uso de utensílios de pedra, as formas mais primitivas correspondem a hominídeos do gênero Australopithecus, espécies de escassa capacidade craniana e reduzida aptidão no uso de instrumentos. O mais desenvolvido foi o Homo erectus, encontrado em diversas zonas da Ásia e também na África, dotado de volume craniano superior ao dos Australopithecus.
Os primeiros homens propriamente ditos foram os homens de Neandertal (Homo sapiens neandertalensis), que viveram cerca de dez mil anos e dos quais foram encontrados numerosos restos na Europa, Ásia e norte da África. Utilizavam diversos materiais, como o osso e a pedra, para fabricar instrumentos cortantes, achas etc., que empregavam na caça.
Por sua constituição e capacidade craniana, o homem de Cro-Magnon (Homo sapiens fossilis) era muito semelhante ao atual Homo sapiens sapiens. A partir do neolítico, período cultural caracterizado pelo uso da pedra polida, pelo início da agricultura e pela criação das primeiras cidades, o homem já apresentava os traços anatômicos e a capacidade intelectual dos indivíduos dos tempos modernos.

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