Biologia, Trabalho Escolar, Trabalhos Escolares, ZOOLOGIA

Etologia – As Quatro Questões – Contribuições metodológicas da Etologia para a Psicologia – Contribuições "práticas" para a Psicologia 1.3 Contribuição teórico-conceitual – Contribuições sobre o conceito de Homem – Referências – Leituras complementares – Biologia – Trabalhos Escolares – ZOOLOGIA

Etologia

Em zoologia, a Etologia (do grego: ἦθος ethos, “ser” ou “personalidade” e -λογία -logia, “estudo”) é a disciplina que estuda o comportamento animal. Está ligada aos nomes de Konrad Lorenz e Niko Tinbergen, sob influência da Teoria da Evolução, tendo como uma de suas preocupações básicas a evolução do comportamento através do processo de seleção natural. Segundo Darwin (1850, apud Bowlby,1982 1 ), cada espécie é dotada de seu próprio repertório peculiar de padrões de comportamento, da mesma forma que é dotada de suas próprias peculiaridades anatômicas. Os etólogos estudam esses padrões de comportamento específicos das espécies, fazendo-o preferencialmente no ambiente natural, uma vez que acreditam que detalhes importantes do comportamento só podem ser observados durante o contato estreito e continuado com espécies particulares que se encontram livres no seu ambiente. Para Odum, 19882 , o estudo da conduta ou etologia, tornou-se uma importante ciência interdisciplinar que procura mais ou menos interligar a fisiologia, a ecologia e a psicologia.

Os etólogos caracterizam-se por uma posição metodológica que gira em torno das quatro questões de Tinbergen. Este, em 1963, propôs que em primeiro lugar deve-se observar e descrever o comportamento; posteriormente, uma análise completa do comportamento deve ser feita com bases nas análises causal, ontogenética, filogenética e funcional. A análise causal é feita através do estabelecimento de uma relação entre um determinado comportamento com uma condição antecedente, sendo estudados os estímulos externos responsáveis pelo comportamento e os mecanismos motivacionais internos. A análise ontogenética envolve uma relação do comportamento com o tempo, estando o interesse voltado para o processo de diferenciação e de integração dos padrões comportamentais no curso do desenvolvimento de um indivíduo jovem. A análise filogenética, por sua vez, estuda a história do comportamento no curso da evolução da espécie. Por último, a análise funcional estabelece uma relação entre um determinado comportamento e mudanças que ocorrem no ambiente circundante ou dentro do próprio indivíduo. Pensa-se em que vantagens seletivas um dado comportamento confere a um animal, como pode afetar as chances de sobrevivência e reprodução de um animal, fornecendo assim material para a seleção natural. A peculiaridade da metodologia etológica é a preocupação com questões de função, adaptação e filogênese, que mesmo quando não são o foco principal de estudo se refletem na maneira como é conduzida a análise de questões causais ou ontogenéticas.

Contribuições metodológicas da Etologia para a Psicologia

Hinde (1974 apud Carvalho, 1998 3 ) defende que os procedimentos de observação, descrição, experimentação e análise desenvolvidos para o estudo do comportamento animal podem ser utilizados no estudo do comportamento humano, com grande sucesso. Segundo Bowlby (1982), “a Etologia está estudando os fenômenos relevantes de um modo científico”. Segundo o mesmo, a abordagem etológica pode fornecer o repertório de conceitos e dados necessários para explorar e integrar dados e insights proporcionados por outras abordagens, como a psicanálise, a teoria da aprendizagem de Piaget e o que vem sendo denomindado Neuroetologia no estudo comparativo e correlacional entre os distintas formas de sistema nervoso e suas funções e/ou comportamentos. O processo de elaboração de etogramas ou repertórios comportamentais é também um importante passo para o conjunto de técnicas behavioristas de modificação do comportamento.

Para Lacan, 4 o psicológico examinado de perto corresponde ao etológico, o conjunto dos comportamentos do indivíduo biologicamente falando, nas suas relações com o meio natural, segundo ele, uma definição legítima da psicologia. Uma ordem de relações de fato, objetivável, um campo suficientemente bem limitado. Ressaltando, porém que no âmbito da psicologia humana, é preciso dizer o que dizia Voltaire da história natural, a saber: que ela não é tão natural assim, e, em resumo, que ela é o que há de mais antinatural. Tudo o que, no comportamento humano, é da ordem psicológica está submetido à anomalias profundas, apresentado paradoxos à todo instante. Ou seja no repertório da conduta humana devemos incluir, todas as possibilidades de crimes, patologias e contravenções às próprias leis que estabelece socialmente. Uma concepção assaz controversa especialmente no que tange ao conjunto comportamentos que caracterizam os distúrbios genéticos e da patologia neuropsiquiátrica humana.

Contribuições “práticas” para a Psicologia

Esse tipo de contribuição refere-se à possibilidade de utilização de resultados obtidos em estudos de comportamento animal para a complementação, confirmação e / ou aprofundamento de conhecimentos sobre o homem. Essa contribuição é especialmente útil em problemas nos quais a experimentação com humanos é impossível ou inconveniente, como os estudos de isolamento social em primatas não-humanos. Embora não se possam transpor resultados diretamente, dada a importância das diferenças inter-específicas, estes estudos enriquecem a compreensão sobre os seres humanos quando comparados com sujeitos em situações menos controladas, como estudos clínicos e observacionais. Entre os estudos mais relevantes até hoje apresentados estão os do fenômeno do Imprinting (Estampagem) descoberto inicialmente no comportamento das aves mas atualmente já identificado em primatas.

A estampagem inter-específica entre cisnes e patos são conhecidas por todos graças ao conto de fadas O patinho feio de Hans Christian Andersen
Contribuição teórico-conceitual

A Etologia, enquanto abordagem do estudo do comportamento que se caracteriza por um enfoque biológico e, portanto, como área do trabalho científico, utiliza modelos e conceitos teóricos para a interpretação de seus fenômenos. Conceitos como estímulo-sinal, estímulo supra-normal, estampagem e período sensível têm sido de grande importância no estudo da infância, possibilitado o aperfeiçoamaneto de escalas de desenvolvimento, por exemplo.

Segundo Odum, 1988 (oC.) o comportamento é um importante componente da compensação dos fatores (limitantes e reguladores) ambientais e do desenvolvimento ecotípico. Os organismos regulam os respectivos ambientes internos e microambientes externos por meios quer da conduta que fisiológicos. Essa adaptação caracteriza o nicho ecológico de cada espécie, que corresponde não só ao lugar onde vive (habitat) mas também aquilo que faz (como transforma a energia, se comporta, responde ao seu ambiente físico e biótico e o modifica) e da forma como é constrangido por outras espécies.

Ainda segundo esse autor, por analogia, pode-se dizer que o habitat é a ‘morada’ do organismo e que o nicho é a sua ‘profissão’, biológicamente falando. O nicho portanto não equivale apenas ao espaço físico ocupado pelo organismo, mas também seu papel funcional na comunidade (como por exemplo sua posição trófica) e sua posição nos gradientes ambientais de temperatura, humidade, pH do solo e outras condições de existência. Estes três aspectos podem ser convenientemente designados como nicho espacial ou de habitat, nicho trófico e nicho multidimensional ou de hipervolume.

Contribuições sobre o conceito de Homem

A Etologia, segundo Carvalho (1989)5 , tem contribuído para a recuperação da noção de homem como um ser bio-psico-social, abandonando a concepção insular do homem que dominou as ciências humanas (inclusive algumas áreas da Psicologia) na primeira metade do século XX, que destaca o homem da natureza e coloca-o em posição de oposição a esta. A concepção etológica do ser humano é a de um ser biologicamente cultural e social, cuja psicologia se volta para a vida sociocultural, para qual a evolução criou preparações bio-psicológicas específicas.

Referências

– BOWLBY, John (1982) Formação e rompimento de laços afetivos. SP: Martins Fontes – Abordagem etológica da pesquisa sobre desenvolvimento infantil, pp. 23-40.
– ODUM, EUGENE P. Fundamentos de ecologia. Lisboa, PT. Calouste Gulbenkian, 1988
– CARVALHO, A.M.A (1998) Etologia e Comportamento Social. Em: Psicologia, reflexões (im)pertinentes, Casa do Psicólogo, pp. 195-202.
– LACAN, JACQUES. O seminário, livro 3 as psicoses. RJ. Zahar,1988 p.16
– CARVALHO, A.M.A. (1989) O lugar do biólogico na Psicologia: o ponto de vista da Etologia. Biotemas, 2(2): pp. 81-92.

Leituras complementares

BOWLBY, John. Trilogia Apego, Separação e Perda. Volumes I, II e III. São Paulo. Martins Fontes 1990.
SOUTO, ANTONIO. Etologia: Princípios e Reflexões. Pe, Universitária da UFPE, 2005. Google Livros, Nov. 2010
CHAUVIN, RÉMY. A etologia, estudo biológico do comportamento animal. RJ, Zahar, 1977.
BUSSAB, V. S. R; OTTA, E; GUERRA, R.F.(1991) Introdução à Etologia. In: XXI Reunião Anual de Psicologia de Ribeirão Preto, 1991, Ribeirão Preto. Anais da XXI Reunião Anual de Psicologia de Ribeirão Preto, 1991, pp. 378-382.
EIBL-EIBESFELDT, Irenaus- “Etologia – Introducion al Estudio Comparado del Comportamiento”. Barcelona, Omega, 1974.
HINDE, Robert A.- “Bases Biologicas de la Conducta Social Humana” Ilust. de Priscilla Edwards . Mexico, Siglo XXI, 1977.
KLOPFER, P.H. Behavioral aspects of ecology. Prentice-Hall, Inc., Englewood Cliffs N.J. 1962
LORENZ, KONRAD Fundamentos da etologia. SP, UNESP, 1995. Disponível no Google Livros
JONES, N. Blurton. Estudos etológicos do comportamento da criança. SP, Pioneira, 1981
OTTA, E. (1989) . A importância da Etologia para a Psicologia. In: 3º Encontro Paranaense de Psicologia, 1989, Londrina. Anais do 3º Encontro Paranaense de Psicologia, 1989. v. 3. p. 77-81.
SANTOS, António J. Psicobiologia e Etologia do Desenvolvimento Humano. Congresso Internacional, Interfaces em Psicologia, Universidade de Évora. Disponível em pdf no ISPA, Pt Acesso em: 26 jun 2005.
YONG-KIU, KIM (Ed.) Handbook of behavior genetics. USA, Springer, 2009 no Google Livros

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