Biologia, Trabalho Escolar, Trabalhos Escolares

SAMBAQUI – Biologia – Trabalho Escolar

SAMBAQUI

Em diversos pontos da costa brasileira é possível observar o interessante fenômeno dos sambaquis, montes artificiais constituídos principalmente de moluscos de origem marinha, terrestre ou provenientes de água salobra, das mais diversas formas e dimensões.
Sambaqui é um depósito muito antigo, formado de conchas, esqueletos de seres pré-históricos, utensílios de osso e pedra, pedaços de cerâmica e restos humanos, que aparece em regiões onde os indígenas se agrupavam para comer moluscos. Constituído por ação humana, não deve ser confundido com as concheiras, ou ostreiras, existentes em São Paulo e Santa Catarina, que são acúmulos de conchas realizados por agentes geológicos.
Na América do Sul, essas jazidas paleoetnológicas milenares ocorrem ao longo da costa, tanto do Atlântico como do Pacífico, ou em lagos e rios do litoral. Análogas às que se encontram em outras partes do mundo, como os kjökkenmödding da Dinamarca e os shell mounds da América do Norte, caracterizam-se pela presença de cinza e carvão entre espessas camadas de conchas, com restos de peixes e, mais raramente, ossos de aves e mamíferos. Dentre as conchas dos moluscos, alguns pertencentes a espécies extintas e outros contemporâneos, há acentuado predomínio de bivalves e gastrópodes.
Estudando os sambaquis, os arqueólogos procuram reconstituir a vida diária e os hábitos de povos da pré-história. Há evidências de que vários complexos culturais podem ser distinguidos nos sambaquis; no entanto, pouco se sabe sobre sua antiguidade ou distribuição, pois foram feitas poucas escavações e datações com carbono radiativo. O país onde primeiro se estudou um sambaqui foi a Dinamarca. Os sambaquis encontrados nas ilhas britânicas, França, Itália, Espanha, Portugal e norte da África estão datados de 4000 e 2000 a.C. aproximadamente. Outros sambaquis já foram pesquisados na Austrália, Nova Zelândia e nas Américas do Sul e do Norte.
Quanto aos sambaquis brasileiros — o de Maratuá, em São Paulo, e o da ilha dos Ratos, no Paraná –, as únicas datações disponíveis revelam que o primeiro teria 7.327 anos, com erro possível de 1.300 anos, e o segundo 1.540 anos, com margem de erro de cerca de 150 anos. Os dados disponíveis permitiram algumas deduções geológicas: possivelmente, os sambaquis formaram-se em duas épocas pré-históricas distintas. A primeira teria sido um período frio, ocorrido há cerca de dez mil anos, quando o mar se encontrava algumas dezenas de metros abaixo do nível atual. Bem mais tarde, com a gradativa elevação do nível do mar, provocada pelo lento mas constante aquecimento da atmosfera, esses sambaquis teriam sido submersos e recobertos por aluviões marinhos. Tais seriam os sambaquis que se encontram parcialmente submersos, como os do litoral de São Paulo e do Paraná.
Há cerca de quatro ou cinco mil anos, sobreveio um novo período frio, bem menos rigoroso, suficiente apenas para abaixar ligeiramente o nível do mar e descobrir os sambaquis submersos. Durante esse período, ou logo após, outros sambaquis se formaram junto às lagunas, praias e mangues decorrentes do recuo das águas. Esses seriam os que se situam alguns metros acima do nível do mar, em antigos terraços marinhos e dunas, em muitos pontos da costa meridional.
Há evidências de cultura humana nos sambaquis, em todos os seus níveis. É comum a presença de objetos líticos (em rocha), como machados de diabásio semipolido, de vários tipos e tamanhos, batedores ou quebra-cocos, trituradores, facas, raspadores e pontas. Há também artefatos ósseos, como anzóis, arpões, pontas de flecha, furadores, discos e adornos. As peças confeccionadas de conchas, principalmente ornamentos, ocorrem em menor quantidade. Bem mais raros são os zoolitos, peças esculpidas em rochas de grande dureza, como o granito e o diabásio, e que representam espécimes da fauna aquática e terrestre com perfeição.
Alguns sambaquis têm revelado a presença de peças cerâmicas fragmentadas nos estratos superiores, misturadas a camadas humosas e a poucas conchas. Essa modalidade provém de uma ocupação mais recente dos montes por índios da família tupi-guarani e por caboclos, já que as amostras coletadas são muito semelhantes à cerâmica tupi-guarani e à que ainda hoje é feita pelos pescadores litorâneos.
No Brasil há diferentes termos para designar os sambaquis. No Pará, são chamados cernambis; em São Paulo e Santa Catarina, casqueiros; em outras partes do país, ilhas de casca, caieiras, samauquis e berbigueiras. Os sítios brasileiros de sambaquis foram aproveitados desde os tempos coloniais para a fabricação de cal e por isso hoje são raros. Em virtude do interesse arqueológico que os cerca, sua exploração comercial está proibida. Existe, desde 1963, o Museu de Sambaquis — Coleção Tiburtius, em Joinville e SC.

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