Crase, Dicas de Português, Gramática, Língua Portuguesa, Matéria Português, Português, Uso da Crase - quando há (ou não) crase

Crase – Uso da Crase quando há (ou não) crase – Gramática – Matéria Português – Dicas de Português – Língua Portuguesa

Vendeu ‘a vista’ ou ‘à vista’? Veja se a crase está correta nesse caso

Vendeu a ou à vista?

Se alguém “vendeu a vista”, deve ter vendido “o olho” (a vista = objeto direto). O desespero era tanto, que um vendeu o carro, o outro vendeu o rim e esse vendeu a vista.

Se não era nada disso que você queria dizer, então a resposta é outra: “vendeu à vista”, e não a prazo (à vista = adjunto adverbial de modo).

Observe que nesse caso não se aplica o “macete” da substituição do feminino pelo masculino (à vista > a prazo).

Por causa disso, há muita polêmica e algumas divergências entre escritores, jornalistas, gramáticos e professores.

Acentuamos o “a” que inicia locuções (adverbiais, prepositivas, conjuntivas) com palavra FEMININA: à beça; à beira de; à cata de; à custa de; à deriva; à direita; à distância; à espreita; à esquerda; à exceção de; à feição de; à força; à francesa; à frente (de); à luz (“dar à luz um filho”); à mão; à maneira de; à medida que; à mercê de; à míngua; à minuta; à moda (de); à noite; à paisana; à parte; à pressa; à primeira vista; à procura de; à proporção que; à queima-roupa; à revelia; à risca; à semelhança de; à tarde; à toa; à toda; à última hora; à uma (=conjuntamente); à unha; à vista; à vontade; às avessas; às cegas; às claras; às escondidas; às moscas; às ocultas; às ordens; às vezes (=algumas vezes, de vez em quando)…

As locuções adverbiais indicam lugar, tempo, modo…

“Entrou à direita.”

“Está à distância de um metro.” (=adjuntos adverbiais de lugar);

“Só voltará à tarde.”

“À última hora, desistiu.” (=adjuntos adverbiais de tempo);

“Saiu andando à toa.”

“Falou tudo às claras.” (=adjuntos adverbiais de modo).

Nas locuções prepositivas, só haverá o acento grave com palavras femininas: à custa de, à procura de, à mercê de, à moda de…

Não há acento grave em locuções com palavras masculinas:

“Falávamos a respeito do jogo de ontem.”

As duas locuções conjuntivas (=ligam orações) dão ideia de “proporção”:

“A sala fica cheia à proporção que os convidados vão chegando.”

“À medida que o tempo passa, ele fica mais irresponsável.”

VOCÊ SABE…

…qual é a origem da gravata? E de onde vem a expressão “conto do vigário”?

Os reis da França, principalmente os Luíses, entraram para a História com a fama, entre outras coisas, de vaidosos. Foi um Luís da França, mais precisamente Luís XIV, quem lançou a moda da gravata. Em 1660, um grupo de guerreiros do Royal Cravate, da Croácia, foi apresentado ao rei. Eles usaram para a ocasião uma tira de tecido amarrada no pescoço. Luís XIV gostou da novidade e adotou. Como tudo que o rei fazia era imitado pelos súditos, todos passaram a usar a tira de pano dos “cravates”, ou croácios, de onde surgiu o nome “gravata”.

Quando alguém é vítima de uma malandragem, de um engodo, diz que lhe passaram um conto do vigário.

A expressão é bem brasileira. Dizem que é mineira de Ouro Preto.

Segundo a primeira versão, tudo começou quando os espanhóis doaram uma imagem de Nosso Senhor dos Passos para a cidade. Dois padres, um da igreja de Nossa Senhora do Pilar, outro da de Nossa Senhora da Conceição, queriam a imagem em suas respectivas igrejas. Como não havia como julgar o merecimento, o padre do Pilar sugeriu uma maneira de resolver o conflito: colocar a imagem em cima de um burro, no meio do caminho entre as duas igrejas. A Nossa Senhora ficaria na igreja para onde o burro se dirigisse.

A sugestão foi aceita, e o burro levou a imagem para a igreja do Pilar. Se você está lembrado, essa era a igreja do padre que fez a sugestão. Mais tarde, descobriu-se que o tal padre também era dono do burro. Quer dizer que ele passou um conto do vigário no concorrente.

Essa versão pode ser a mais curiosa, mas provavelmente não é verdadeira.

Existiria outra lenda a respeito da imagem. Consta que ela foi trazida da Corte do Rio de Janeiro a Vila Rica em lombo de burro. Quando a caravana passou ao lado da igreja-matriz de Nossa Senhora do Pilar (inaugurada em 1733), o burro “empacou” e não houve jeito de fazer o animal prosseguir. Impressionados com a teimosia do bicho, os doadores concluíram que a bela imagem deveria ficar na matriz do Pilar, o que realmente aconteceu.

Há uma outra versão que me foi enviada por um leitor: “Conta-se que, com a chegada da família imperial portuguesa ao Brasil, diversos nobres a acompanharam. Ficou famosa a história de um nobre que se dizia herdeiro de um rico vigário português que havia falecido em Portugal. Apesar de sua condição de rico herdeiro, toda sua fortuna estaria ainda em Portugal. Enquanto aguardava sua chegada, frequentava festas, morava e comia de graça, tudo por conta da chegada da herança. Meses se passaram e as desculpas se sucediam, até o seu desaparecimento, deixando inúmeras dívidas e empréstimos não pagos. Todos os que acreditaram em sua história, caíram no “conto do vigário” e aquele que aplica golpes similares passou a ser chamado de vigarista.”

Vejamos o que observa um outro leitor: “Desde muito cedo, tive a curiosidade aguçada, perguntando-me o que teria a expressão conto do vigário a ver com o vigário ou o padre, propriamente. A pesquisa me levou a vicariu, do latim, que em português deu vicário e vigário. A primeira significa “o que faz as vezes de outrem ou de outra coisa”. A segunda, para o mestre Aurélio, é “o padre que faz as vezes do prelado”. Continua, portanto, presente a ideia de substituição. Consigna ainda o Prof. Aurélio por inteiro a expressão conto do vigário, no qual o termo vigário entra com todo o seu conteúdo de substituição.”

Espero que não seja eu quem tenha caído no conto do vigário. Será que existem mais versões ainda? É lógico que seria importante conhecer a verdadeira origem do conto do vigário, mas confesso que, quando o assunto é etimologia, não sei se o mais delicioso é encontrar a verdade ou ouvir tão curiosas versões.

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