Educação Física, Esportes, Skate, Trabalho Escolar, Trabalhos Escolares

Skate – História – Rodas do Skate – Skate na Década de 70 – Histórico – Skatista – Tábuas do Skate – Trucks do Skate – (Educação Física – Esportes)

O skate é formado por shape, trucks, rodas, rolamentos, parafusos e griptape.

O skate é um esporte realizado em uma prancha, chamada shape, com quatro rodas pequenas e dois eixos chamados de “trucks”. As manobras executadas com baixo e alto grau de dificuldade consistem em deslizar sobre o solo e obstáculos.

Devido seu aspecto criativo, o skate é considerado um esporte radical, sendo um dos mais conhecidos atualmente. Tem crescido nos últimos anos e atraído um grande número de patrocinadores. Os campeonatos são cada vez mais disputados.

No início da década de 1960, os surfistas da Califórnia faziam das pranchas um divertimento também nas ruas, em época de marés baixas e seca na região.

Os primeiros campeonatos de skate surgiram 1965, porém foi mais reconhecido uma década depois.

Um dos acontecimentos que revolucionaram o esporte foi o invento das rodinhas de uretano, pelo norte-americano Frank Naswortly, em 1973. Outro acontecimento marcante para o Skate foi o invento do Ollie-Air, em 1979, manobra que possibilitou uma abordagem inacreditavelmente infinita por parte dos skatistas.

Rodney Mullen foi um dos revolucionários do esporte, desenvolvendo várias manobras como flip, heelflip, hardflip, kickflip.

O skate é formado por seis partes: tábua ou shape ou deck; trucks ou eixos; rodas; rolamentos; parafusos; lixa ou griptape.

A primeira pista de skate da América Latina foi construída na cidade de Nova Iguaçu, estado do Rio de Janeiro.

O esporte se consolidou nos anos 90, ano em que surgiu também o maior skatista de todos os tempos, o norte-americano Tony Hawk.

No Brasil, os maiores ídolos do esporte são os campeões mundiais Bob Burnquist e Sandro Dias.

Artigos de “Skate”

Rodas do Skate

Para a maioria das pessoas o skate é simplesmente uma tábua com rodinhas, mas na realidade ele é muito mais do que isso.
Desde o ano de 1965, quando se comercializaram os primeiros skates fabricados industrialmente e começaram as primeiras competições, até os dias de hoje o skateboard passou por uma série de transformações até chegar a forma atual.
Um fato importante, que ajudou no desenvolvimento do skate, foi a invenção da roda de uretano, em 1971 pelo engenheiro químico norte americano Frank Nashworthy.
Com o uretano, o skate agarrava mais no solo, reduzindo o ruído e aumentando em muito a performance em relação as antigas rodas feitas de massa (clay wheels) ou até de ferro, oriundas dos patins.
O formato da roda passou por varias estágios experimentais: Cônicas, double conicas, redondas, finas, largas, etc…
Lá pelo final da década de 80 as rodas chegaram a uma forma quase padrão, algo bem parecido com os pneus usados em formula 1, na devida escala de proporção é claro.
Atualmente dois fatores principais são os responsáveis pela diferenciação das rodas tendo em vista o seu uso nas diversas modalidades: Dureza e Tamanho
Dureza: Rodas duras escorregam mais facilmente enquanto que as macias agarram mais.
Assim para se andar em superfícies lisas como cimento e madeira, as rodas duras são melhores, pois alcançam mais velocidade nestes tipos de terrenos. São recomendadas para pistas, rampas e street onde o chão é liso. Outra modalidade onde as rodas duras são indispensáveis é o Downhill slide, onde o skatista necessita quebrar tração (os slides) para conseguir controlar a velocidade.
As rodas mais macias são para serem utilizadas em superfícies asperas, como o asfalto. São muito empregadas nos funboards e longboards, muito em voga atualmente.
A dureza das roda é medida por em Durometer, que pode ser em duas escalas:
A ou D, sendo 60A ou 35D o mais grau macio e 100A ou 75D mais duro.
Tamanho: A maior variação em relação ao tamanho das rodas acontece no diametro, já que a maioria da largura das rodas regulam nas mesmas proporções.
Rodas grandes de 60 mm para cima são para quem precisa de velocidade, enquadram-se aí as modalidades vertical (rodas grandes e duras) e speed (rodas grandes e macias).
Rodas médias, de 55mm até 60mm são usadas para skatistas overall, ou seja, que andam em todos os tipos de terreno, e também funcionam bem em Mini Rampas.
As roda menores, abixo de 55mm, são específicas par street, pois com o centro de gravidade mais próximo ao chão, torna-se mais fácil fazer o movimento de alavanca que é o Ollie, onde o skate cola no pé do skatista.
Tenha em mente a modadlidade que pratica mais quando comprar rodas, e em caso de dúvida, não hesite a perguntar ao vendedor. Se vc estiver numa loja de skate de verdade, ele também será skatista e vai poder lhe orientar em qual a melhor roda para você.

Skate na Década de 70

Ano 2000. Não temos carros voadores, nem colônias em Marte, nem a Terra está cheia de robôs como predisseram muitos. Mas uma coisa é certa: nunca o skate bombou tanto quanto nessa virada de século.
De brincadeira virou esporte, estilo e razão de vida para muitos, com é o meu caso, que entrando na casa dos 45*, ainda só consigo pensar em Skate.
Com vários brasileiros ocupando as posições de cima do ranking mundial, que inclusive conta com uma etapa realizada no Brasil, o Skate ocupa hoje um lugar de destaque no cenário (jovem, esportivo, cultural) brasileiro, com uma indústria própria que inclui vídeos, revistas e programas de TV especializados, com direito até a transmissão ao vivo de alguns dos principais eventos nacionais e internacionais!!!Mas nem sempre foi assim…
O Skate chegou ao Brasil na década de 60, com uma galera que começava a surfar por aqui, influenciada pelos anúncios na revista Surfer. Na época, o nome era “Surfinho” e era feito de patins pregados numa madeira qualquer, sendo as rodas de borracha ou de ferro!
Me lembro que em 1968 minha paixão eram 2 pranchas: a de surf, uma São Conrado de 9 pés e 8 polegadas, e a de Skate, um Nash Sidewalk Surfboards de 24 polegadas, com rodas de massa (clay wheels) e madeira laminada. Um Skate de verdade que consegui com um dos gringos que freqüentavam a Fortaleza São João, na Urca.
O pessoal do Consulado Americano usava o campo de futebol de lá para jogar baseball, e havia uma turminha que tinha alguns skates. Os moleques ficavam pra lá e pra cá nos quadras e os Skates deles me fascinavam.
Depois de uma conversa com um dos garotos, que queria mais era grana para comprar doce, aproveitei e mandei bala…acabei convencendo-o a me vender o seu Skate. Ainda me lembro do preço, 13 cruzeiros… e um cinto que o moleque gostou e insistiu em ter!
Na América, o Skate caiu no esquecimento, o mesmo aconteceu por aqui.
Até que, em 1974, o engenheiro químico, Frank Nashworthy, acidentalmente descobriu o Uretano, material de que são feitas as rodas de Skate, e que viria revolucionar todo o esporte.
As novas rodas eram silenciosas e mais aderentes, fazendo assim com que os Skates fossem mais velozes e seguros.

Com o Uretano, surgiu o primeiro Boom do skate.
O símbolo da época era Greg Weaver, o Cadillac Kid, e as ladeiras da Maria Angélica e Cedro, no Rio de Janeiro, já eram debulhadas pelos irmãos Marcelinho e Luizito Neiva, Marcelo Bruxa, Alexandre Gordo, Maninho entre outros. Enquanto que no Sumaré, em São Paulo, alguns skatistas, ávidos pelas emoções causadas pela velocidade,
como Maçarico, Tchap Tchura e Kao Tai, começavam a despontar.
E pintaram as primeiras manobras, 360s, Wheelies, Handstands e coisas do gênero.
No Clube Federal do Rio de Janeiro, aconteceu o primeiro campeonato de skate do Brasil, vencido por Flavio Badenes, na Senior, e Mario Raposo, na Junior.
Os Skates eram quase todos importados, das marcas mais variadas: Bahne, Super Surfer, Cadillac, Hang Ten…
Os brasileiros eram o Torlay, feito pela fábrica paulista de patins , o Bandeirante, da fábrica de brinquedos de mesmo nome, e o RK, que era a cópia do americano Bennett Pro, o primeiro eixo feito especialmente para skate.
As rodas possuíam ainda o sistema de bilhas soltas, que repousavam em porcas cônicas, travadas por uma contra-porca e os eixos eram ainda os usados em patins. Até que em 1974, Dado Cartolano surgiu com uma novidade: o Vórtex, um Skate que tinha os eixos copiados do Tracker Trucks, que era mais largo e assim possibilitava mais curvas, e as rodas Vórtex, cópias das gringas Road Rider, que substituiram de vez as bilhas soltas pelos rolamentos com porcas auto travantes.

Os campeonatos começaram a acontecer aqui e ali, a modalidade era o Freestyle com Piruetas, High Jump, Barrel Jump (saltos em altura e distância) e um Footwork ainda rudimentar. O cenário competitivo era dominado, no Rio, pela equipe Surfcraft que contava com, Maninho, Quinzinho, Alexandre Calmon, Luizito e Marcelo Neiva, e também pela equipe Waimea, que tinha Flavio Badenes, Mario Raposo e Paulo Soares, além de skatistas que andavam sem patrocínio e que arrepiavam, como era o caso de Luis de Jesus, o “Come Rato”. Já em São Paulo, a primeira Equipe de Skate a despontar foi a Costa Norte, uma firma de Surf, que além de pranchas, fabricava também materiais de Skate (rodas, eixos, tábuas), e que contava com Tchap Tchura e Kao Tai como membros. Mais tarde, vieram outras, como a Gledson e a DM, esta última chegou até a associar-se com a Pepsi na era “Wavepark”.
Com o desenvolvimento do Skate, o próximo passo foi o aperfeiçoamento do terreno, já que desde o início, o Skate era praticado nas ruas, calçadas, estacionamentos, quadras esportivas, etc.. Havia uma necessidade de se criar áreas específicas para a prática deste novo esporte. E foi assim que foram surgindo os Skateparks que rapidamente tornaram-se uma febre em todo o mundo.

(OBS.: Skatepark é masculino. É utilizado erroneamente A SKATEPARK, no gênero feminino, numa tradução livre para A PISTA DE SKATE. O correto é fazer a analogia com PARQUE DE DIVERSÕES, que é masculino. Logo, SKATEPARK também fica no masculino, pois significa O PARQUE DE SKATE)
No Brasil, a primeira pista de Skate a ser contruída foi a de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, em 1976.
Foi tamém a primeira pista de Skate da América Latina, com dois Bowls de aproximadamente 20o de inclinação!
E ainda está aí, com mais de 24 anos prestados ao Skate…
Me lembro muito bem quando vi pela primeira vez a tal pista! Eu simplesmente pirei! Prá mim, era se como tivesse encontrado aquele pico de Surf alucinante, com as ondas perfeitas quebrando pros dois lados, lisinhas e sem vento, uma fonte de diversão ilimitada e infindável.
Queria aquilo para mim… pensei comigo mesmo.
Depois desse dia, decidi que o Skate seria definitivamente parte da minha vida.
Esta pista mudou o enfoque do Estilo Livre para o “Bowlriding”. Muito devido tambéma à influência da revista americana Skateboarde, que mostrava os skatistas em pistas e piscinas de fundo de quintal.
As manobras eram Berts, Batidas, Um e meio (um 360 e meio na transição) e linhas velozes a “la Surf”.
Em Julho de 1977, aconteceu em Nova Iguaçu, RJ, o primeiro campeonato de pista do Brasil, totalmente diferente dos eventos até então, que eram só de Freestyle ou Slalom.

As regras aplicadas foram a base para os regulamentos das competições atuais. Quem ganhou foi Maninho e em segundo ficou o local Quinzinho. Os dois, que mostraram as linhas desenvolvidas em muitas horas de treino, nessa que era a primeira de uma série de muitas pistas que o Brasil iria ter.
Uma delas surgiu em São Paulo. Era um gigantesco Snake Run feito de asfalto com bordas arredondadas, que desembocava num bowl de 50o . Esse foi um presente que os paulistas receberam do Condomínio Alphaville, local que hoje possui algumas pistas de boa qualidade no seu complexo.
Aqui, Sampa entrou na era do Bowl Riding, com todos os skatistas paulistas querendo dropar na mais nova e arrojada pista do Brasil. O Skate, com as pistas, ganhava um ar de Surf no concreto, com as manobras bem similares a aquele, mas que viriam evoluir muito no futuro, tomando uma direção própria.

Na véspera do Natal de 1977, mais um capítulo da história do Skate nacional estava sendo escrito.
No Clube de Regatas do Flamengo acontecia a 1a demo de Skate do Brasil, onde foi mostrada a base do Freestyle, assim como o Skate em rampa, com a ação rolando num Quarter Pipe de madeira, com coping de PVC que chegava aos 90o !
Em SP, no ano seguinte, a Equipe DM saiu na primeira Tour de Skate que se tem notícia na nossa terrinha, contando com nomes como Sideney Ishi, Anésio, Wandy, Alois, Gini, Gean, Bola 7, Cláudio, Grilo e Jun Hashimoto.
O primeiro grande campeonato, que contou com um público de cerca de 2 mil e 500 pessoas, ocorreu no início de 78. O Torneio Luau de Skate, realizado no Circulo Militar de São Paulo, foi o primeiro evento a ter Slalom e Estilo Livre, além de contar com rampas na área de competição. As equipes de destaque de São Paulo foram a DM, Gledson e a Costa Norte, que contava com Kao Tai que venceu a modalidade Freestyle/Senior. Na Junior, Marcelo Neiva da Surfcraft, com uma rotina ensaiada ao som de Fleetwood Mac, mostrava porque era imbatível nessa modalidade.
No Slalom, quem venceu na Junior foi Nelson Kaena, enquanto que Ralph, da Wavepark, venceu na Senior.Em Minas Gerais, além do Freestyle e Slalom, aconteceram também campeonatos com a modalidade Speed, graças à geografia local, ou seja, muitas ladeiras! Nessa época, o ênfase para no Bowlriding estava se intensificando e, no Rio de Janeiro, surgia a pista de Jacarepaguá, que já contava com algumas transições mais radicais.

Muitos skatistas, de diversas partes do Brasil, sedentos por emoções verticais, construiram inúmeras rampas.
As manobras eram One Wheelers, Edgers, Snaps e Tail Blocks, e a linha de frente dos desbravadores do vertical estava no Rio de Janeiro, com Ernesto Tello, Mark Lewis, Marcelo Neiva, Eric Wilner e eu, que desde cedo me tornei “pistoleiro”.
Mas uma grande mudança viria a ocorrer no Skate Nacional. O foco desta mudança estava na Avenida Santo Amaro, em SP. Lá foi construída a Wavepark, por Charles Putz, um adolescente americano que morava no Brasil e estava amarradão em Skate. A pista era um sonho! Tinha bar, Pro Shop e dois Snakes que desembocavam em Bowls, sendo um deles Vertical. Tudo com um acabamento perfeito! Parecia saída das páginas da revista Skateboarder…
Da “Wave” surgiram os primeiros grandes Skatistas do vertical.Jun Hashimoto e Formiga, que juntamente com Ralf, Jofa, Kao Tai e Bruno Brown detonovam o local.

Com a proliferação das pistas e dos equipamentos, acontecia o 2o boom do Skate.
As manobras eram Lip Slides, Rock’n Roll, Carvings e Aéreals com os Skatistas desafiando a lei da gravidade!
“Onde vamos parar!”, pensava eu então…Mal sabia que estava por me tornar parte de algo novo, grandioso e revolucionário, a Cultura Skate…
Até então, as matérias de Skate eram apenas veiculadas em jornais e revistas não especializados, ou ainda em algumas revistas de surf.
Em 1978, Alberto Pecegueiro, hoje Presidente da Globosat e um dos responsáveis pelo Skate ter migrado para a TV a cabo, lançou a Brasil Skate, uma revista própria para o esporte que crescia a olhos vistos.
Acontecia o Campeonato Brasileiro em Florianópolis, na pista de Jurerê – uma pirambeira construida ladeira abaixo.
Formiga mostrava em competição, pela primeira vez, ao mundo do Skate, os aéreals e vencia a Junior. Jun, chocando a todos com um Roll Out/Roll In impossível de ser imaginado para a época, vencia na Senior.
As pistas explodem por todo o Brasil, como a Cashbox e Franete, em São Paulo, ambas focadas no Bowlriding.
No Rio de Janeiro, era construida uma das maiores e mais modernas pistas, com um reservatório de 30 por 70m, um Half Pipe de 30 metros de comprimento, desembocando num Bowl de 13 metros, com paredes com transição variando de 1 metro até 3 metros e 20cm de altura!
Na inauguração, os skatistas da ZS mostraram toda a base do Skate vertical, lapidada aos poucos nas rampas construídas pela própria galera fissurada no vert! Surgem nomes novos, como os irmãos Carlinhos e Roberto “Lourinho” que moravam a uma quadra da mais nova pista.

Na linha da evolução natural do esporte, o Skate também foi se modificando.
Os shapes foram ficando mais largos e as rodas cônicas. Tudo para facilitar as manobras verticais.
A DM Pepsi realizou, em São Paulo, uma prova seletiva para escolher alguns skatistas para participarem de um campeonato da NSA (National Skateboarding Association), em Oceanside, Estados Unidos. Uma galera de peso ficaria responsável de representar pela primeira vez o Brasil numa prova internacional de Skate, com nomes como Formiga, Osmar Fossa, Jofa, Bruno Brown e Marcelo Neiva, que fora especialmente convidado devido a sua perícia no Freestyle, ficando entre os top 10. A final, que seria de 10 concorrentes, acabou acontecendo com apenas 6, fazendo com que Marcelo ficasse de fora.
A cena no Sul do país também dava sinais de amplo desenvolvimento com a realização do Campeonato Brasileiro, no Swell Skatepark, em Viamão, Rio Grande do Sul. A pista era uma Snake Run pequena que desembocava num Bowl com azulejos azuis e Coping. O local Chico Preto fez a mala de Formiga e Jun Hahimoto, dois dos melhores “verticaleiros” do momento. Eu me lembro que nesse campeonato consegui comprar do Edu, que trabalhava na Wavepark, umas rodas Sims Conical amarelas e com elas consegui o 6o lugar.

Ainda no Rio Grande do Sul, outras pistas estavam surgindo como a do Parque da Marinha, em Porto Alegre, com seu gigantesco Snake e o extinto Bowl super vertical, e o Ramon’s Bowl, em Novo Hamburgo, que era uma réplica de uma piscina de fundo de quintal, dessas que que se via na revistas Skateboarder, com Coping, Azulejos, Shalow End e Deep End!
Os cariocas recebiam mais uma pista de presente: o Barramares, uma piscina “Eggbowl” com Shallow End, Deep End Coping e Azulejos que variava de 50 cms até 4 m e 20 de altura. Com ela, o Rio retomava a frente no Skate vertical.

Me lembro de sessions homéricas em clima de puro “Dog Town”, com Ernesto Tello, Mark Lewis, Come Rato, Osmar e Oscar Latuca, que eram os skatistas que dominavam a arte do Bowlriding nesta época.
36 km era a distância da minha casa ao Barramares e 75 km a distância até Campo Grande.
Foi neste dois locais que passei grande parte da minha vida, com um sorriso nos lábios e o carrinho nos pés.
Às vezes me perguntam por que o Skate… e eu repondo que Skate é a minha vida.
Através dele conheci pessoas e lugares, firmei minhas melhores amizades, perdi o medo e a vergonha de tentar, tentar até conseguir. O que, convenhamos, não é uma postura muito bem aceita por este sistema injusto que se chama Sociedade, onde só o acerto é recompesado.
Skate desenvolve a coordenação motora e a criatividade, exercita o corpo e a mente!

Texto escrito para o livro:
“A Onda Dura – 2 décadas de Skate no Brasil”, 2000

Skatista

Em 1968 fui com minha família para Petrópolis, uma cidade imperial perto do Rio de Janeiro. Na bagagem levei o meu 1o skate, que era feito com um patins de rodas de borracha aberto ao meio e aparafusado numa tábua reta. Me lembro muito bem quando meu pai me levou num ringue de patinação onde brinquei um tempão com meu skate. E também me recordo dos olhares das pessoas que viam aquilo como uma coisa estranha. Um garoto andando sobre uma tábua com rodinhas. Algo totalmente inusitado e fora de propósito para muitos. Desde então reparei que o Skate era diferente. E esse foi um dos motivos para eu me amarrar no bicho. “Um lance diferente, só meu”, pensei.
Com o passar do tempo vi que o Skate estava formando um mundo novo graças aos seus adeptos que não cansavam romper novas barreiras na busca de novos terrenos e por que não dizer, novas formas de expressão.
Veio o uretano, os skateparks, as manobras e o Skate sofreu uma expansão atingindo um universo muito maior, que aos poucos foi solidificando-se, tornando-se um “mercado”.
O “sistema” começou a absorver o brinquedo inocente e logo o lado do Skate como esporte começou a ser explorado.
O Skate sempre foi algo inovador e principalmente, anárquico, no sentido de não existirem regras para se praticar. Você simplesmente anda. Não tem de interagir com terceiros, seguir regulamentos ou mesmo procurar um terreno específico para a prática. Se anda de Skate em qualquer lugar!!! Calçada, rua, quadra, pista, rampa, piscina, tubo, garagem, corrimão, guia, cozinha, sala, quarto…
Sempre me senti orgulhoso de fazer parte de uma galera criativa que valorisava a expressão individual e a diversão entre amigos. Acho o máximo a reutilização que fazemos de objetos e estruturas para torna-los fonte de prazer. Para muitos um muro é só um muro. Mas para um skatista pode ser uma fonte de prazer, “aquele” pico da hora!
O Skate nasceu de um ato altamente radical: separar um patins – um dos ícones do American Way of Life dos anos 50 – e transforma-lo em algo antes jamais pensado. Surfar no asfalto. O Surf nessa época já fazia parte da contra-cultura. Drop in, turn in and drop out diziam os Gurus da época Timothy Leary e William Borrougs que promoveram uma grande mudança na sociedade americana através das drogas e de pensamentos que incentivavam o modo de vida alternativo.
Assim o lance era drop in, ou seja tomar ácido, turn in, sintonizar-se, e drop out – desligar-se do sistema.
Com o mesmo objetivo, numa atitude muito mais saudável, o Skate tomou o lugar do ácido, e foi usado como instrumento por muitos para diminuírem o alcance do sistema em suas vidas e serem felizes com isso.
Quando John Lucero e Neil Blender, frequentadores assíduos do Skatepark Skate City, foram barrados por que estavam sem dinheiro para pagar as entradas naquele dia e assim impedidos realizar a sua arte, ficaram zoandando de Skate em frente a pista, dando slappies, rock and roll slides e outras manobrinhas.
Neste momento estava configurando-se uma reviravolta que viria a acontecer com o Skate. Surgia o Street Skates. As pistas começariam a fechar.
“Por que pagar se posso andar de graça nas ruas?” Era a pergunta que todos começaram a se fazer. O underground falou mais alto e mais uma vez deu seu drop out no sistema, no caso as “corporações” que os Skateparks e o Skate em si haviam se tornado. Algo difícil, complicado e com muitas regras a cumprir, principalmente nas pistas.
Ao meu ver, na vida tudo passa por ciclos. O Skate também. Há cada 10 anos há uma transformação que faz com que o Skate exploda e logo em seguida caia no esquecimento da grande massa.
Mas, nem por isto deixa de existir.
Pelo contrário, só ganha força e cresce!
Já presenciei 3 desses ciclos e estamos na iminência de uma nova virada.
O Skate espontaneo versus o Skate corporativo.
“Skateboarding is not a crime” era a frase do adesivo lançado pela Santa Cruz na época em que o boom do Street Skate estava acontecendo, espalhando-se pelo mundo com uma força jamais vista.
Veio a TV e os mega campeonatos feitos especialmente para as grandes redes americanas. O Skate passa a entrar na casa de milhões de pessoas que nunca sonharam que era fisicamente possivel de se fazer certas coisas apresentadas pelos skatistas, quanto mais vir a entender o que representava para cada um andar de Skate.
O Skate passa ser um cara voando de um lado pro outro em duas paredes num Half Pipe ou subindo e descendo e pulando rampas no Street.
O totalitarismo cultural provocado pela globalização foi aos poucos transformando o Skate.
A firma de Skate americana Consolidated manda muito bem em mais um de seus adesivos polêmicos com a frase “Skate não é um esporte” .
Sim! Skate não é um esporte. É muito mais que um esporte! Um estilo de vida, para muitos daqueles que querem dar um basta no excesso de regulamentações, códigos de conduta outras e imposições feitas pela sociedade e ter mais controle maior sobre suas próprias ações.
Já me questionei muito na hora de colocar os créditos nos programas de Skate que faço. Usar Nilton Neves ou Nilton Urina? Carlos Piolho ou Carlos de Andrade? Sergio Negão ou Sergio Fortunato? No fim das contas resolvi passar a creditar os skatistas como são conhecidos no nosso mundo, o mundo do skate. Negao, Piolho e Urina são como são conecidos este skatistas. E pronto.
Se você continuou a ler até aqui é que deve estar interessado em ver onde isto vai dar, ou pelo menos se perguntou “o que este maluco tá querendo dizer com tudo isto?”
Simples.
Pra mim, skatista é skatista. Não é atleta.
É muuuuuuuiiito mais que isso!
Atleta é pouco para se definir um skatista.
Um Skatista é um artista, um designer e seu produto são as manobras que executa e cria. Cada uma com sua identidade própria e pessoal como uma caligrafia, única, inimitável.
Seu suporte são os inúmeros picos que explora com seu Skate na busca de satisfação e realização pessoal.
Como disse no Congresso Brasileiro de Skate,
“o skatista não cabe numa caixa de atleta”…
Certamente.
Por que muita coisa vai ficar de fora…
Com o meu trabalho tive oportunidade de conhecer vários países e culturas diferentes. E uma coisa para mim é certa. Em todos os lugares skatista é skatista.
Só no Brasil, de uns tempos pra cá, ele está sendo rotulado como atleta!!!
Fico triste depois de todos estes anos de batalha deste movimento (contra)cultural que é o Skate, que possui identidade e características próprias e únicas, chegar ao século 21 e ver, que segundo muitos, os Skatistas agora foram reduzidos a simples atletas?!?!
Em vez de atleta, adoraria de ver melhores definições em revistas e campeonatos sobre quem vive para andar em cima de uma tábua com 2 eixos e 4 rodas .
Sugiro algo mais Skate e menos sistema como: “o próximo skatista a se apresentar é…”

Tábuas do Skate

Tábua, madeira, shape, decks, … são vários os nomes para o componente mais importante do skate. O “board” do skateboard.
No Brasil é conhecido como shape, enquanto que na terra do Tio Sam é chamada “deck”.
No início do esporte, eram feitas de madeiras sólidas, muitas delas de carvalho.
No final, da década de 70, surgiram as primeiras madeiras laminadas, que suportaram a evolução do tempo, estando presentes até hoje no esporte.
A tábua, em comparação com os outros 3 elementos do skate (rodas, rolamentos e eixos), é o que mais frequentemente se repõe, já que alumínio e uretano são mais resistentes que madeira.
Os desenhos mudaram dramaticamente durante esses anos. Hoje, as formas tendem a ser todas parecidas, com bordas retas e desenhos simétricas, enquanto que há dez anos atrás, podia se encontrar vários tipos de shapes e tamanhos.

Então o skate mudou. Nos anos 90, surgiu a necessidade de tábuas mais simétricas para se adaptarem ao esporte que progredia rapidamente, num novo estilo.
Com o advento das manobras de “flip” e “noseslide”, requeriam tábuas mais estreitas, com bicos mais longos, que antigamente tinham cerca de 2 1/2 polegadas, eventualmente cresceram e superaram o comprimento da rabeta (ou seja, atualmente, o bico é maior que a rabeta).
Um fator importante nas tábuas de skate é a distância entre os eixos (wheelbase), que determina o tipo de curva que o skate faz e por consequência , seu fucinamento.
Quanto menor o wheelbase, mais curtas as curvas. Quanto maior, mais longas as curvas.
A escolha vai variar de acordo com a modalidade a ser praticada.

Atualmente, as tábuas de skate são feitas de folhas coladas e posteriormente cortadas. Na sua maioria, são constituidas de 7 folhas de Maple, madeira que cresce no frio do continente Norte Americano, que são preparadas em lâminas fazendo as folhas a serem usadas nos skate — 5 delas com o veio correndo do bico para a rabeta, e 2 no sentido lateral.
Essas folhas são unidas c/ cola especial, colocadas numa prensa, c/ a forma desejada, – nessa fase é que é feita o “kick” do “tail”, do “nose” e o “concave” (a angulação do bico, da rabeta e a parte côncava).
Depois de secas, estas peças retangulares são furadas, recortadas na forma desejada, lixadas, recebem acabamento e os gráficos são estampados.
Atualmente, a maioria dos tábuas de skate são muito parecidas entre si.
As variações estão ente as formas, distância dos eixos, quantidade de angulação no bico e na rabeta e os “concaves”, que podem ser mais suaves ou mais acentuados.
Analise esses elementos ao fazer a escolha da tábua para montar o seu skate.

Trucks do Skate

Os trucks ou eixos basicamente são peças de metal que ficam encarregadas de fazer as curvas do skate na direção em que se inclina o corpo.
Os primeiros eixos foram originários de patins, que eram muito estreitos e fracos para skate. Nesta época os eixos vinham com uma incrivel variedade de furos de montagem na base, o que dificultava ainda mais o seu uso genérico.
Em 1975 surge o Tracker Trucks, um eixo feito especialmente para skate que, com sua geometria que possibilitava curvas mais estaveis e a base de 4 furos, viria a revolucionar todo o esporte.
O desenho dos eixos permanesceu o mesmo desde então, com apenas algumas mudanças, muitas delas, na tentativa de aliviar peso, não funcionaram, como o uso de bases de plástico e nylon.

Outras apenas aperfeiçoaram o desenho, como por exemplo os furos das bases que tiveram a posição da frente recuada devido ao Nose e Tail Slides, manobras que estavam sendo desenvolvidas no começo dos anos 90, em que os parafusos dianteiros eram esmerilhados devido ao contato com a borda durante a execução destas manobras.
Outro ponto que evoluiu nos trucks foram os eixos onde as rodas se prendem, que a principio eram simplesmente imbutidos e que passaram a ter pegas especiais para evitar que se soltassem com o uso.

Além das partes de metal, os eixos possuem algumas peças feitas de uretano. São elas o Pivot Bushing (Buchas) que ficam no local onde o eixo faz contato com a base, e os Bushings (Amortecedores) que são responsáveis pela regulagem dos eixos, que podem ser bem duros e apertados, tornando-se assim o jogo do eixo bem rigido sendo recomendado para quando a velocidade do skate é alta, como no Downhill e Half Pipes, ou ainda mais podem ser mais macios e ter uma regulagem mais folgada, fazendo com que os eixos fiquem mais soltos e por consequência façam curvas mais facilmente, sendo este tipo de regulagem muito usado no Street.

Na escolha de trucks o que deve contar mais é a modalidade em que estes serão utilizados:
eixos largos são recomendados para velocidade, pistas e half pipes,
os mais estreitos têm o seu uso direcionado para o street, pois a pouca largura facilita as manobras rotativas e de flips. Atualmente existem cerca de 20 marcas de eixos no mercado, todas apresentadas em várias larguras, e que podem ser facilmente encontrados nas skate shops.

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